Aula de anatomia

Moleque

Sonhador

Após nove meses da fecundação

Surgimos do ventre de uma mulher,

Aportamos a este planeta

Sem nada saber,

Sem pedir, sem ser consultado.

O aconchego materno, os familiares,

Tudo é muito estranho,

Vamos familiarizando,

Uma casa, um móvel, um animal,

O que será que vim fazer aqui?

Um irmãozinho, um amigo,

Um avião no céu,As primeiras letras,

Ainda a inocência da primeira infância,

Tudo é muito bom, estou no mundo,

O que será o mundo,Uma vida, uma situação permanente,

Tudo isso será pra sempre?

Perguntas respondidas,

Desilusão total,

Vem o desalento…

Então o mundo é isto,

Não existe, um dia tudo passa…

Partimos é só restará o pó,

Lembranças de alguns próximos,

Até quando eles existirem,

Haverá uma maneira de mudar isto?

Perguntas que não se calam,

E a rotina precisa seguir

Crescer, estudar, trabalhar,

Casar, ter filhos, netos,

Envelhecer e partir,

Isto se seguir à ordem natural.

Nem sempre é assim,

A caminhada possui tropeços,

Caídas, recaídas,

Não depende de nós,

Há o incauto, o destino quem sabe,

Um bandido no caminho, um assalto,

Um acidente automobilístico,

E tudo pode se acabar.

Será possível mudar isto?

Ao menos por um tempo,

Uma idéia surge,

E toma força,

Será.

Sim, permanecer mais um pouco,

O que não foi possível levar avante,

Estudos, não é para todos,

Universidade..Palavra sonhada,

E nunca alcançada,

A vida não permite tudo,

Nos rouba sem dó nem piedade,

E o caminho trilhado,

Não será o caminho sonhado,

A idéia amadurece,

Ser útil, estar na universidade…

Embora sem consciência disso,

Servir a ciência…

Doar a carcaça inútil

Para fugir do fútil,

Não um órgão ou outro,

Mas o todo,

Estar na faculdade…

Ser dessecado para o aprendizado,

Para o conhecimento das futuras gerações

Assombrando alguns, alucinando outros,

Inebriando e assustando,

Mas presente,

Num tanque de formol,

Numa bancada de estudantes,

No templo do saber,

Será a gloria não anunciada,

Mas conquistada,

Estar ainda aqui,

nesse planeta de horrores,

Dores e amores,

Por mais um século talvez,

Não degenerar,

Driblar o destino fatal,

Não explodir e alimentar os vermes

Parasitas a abocanhar seu naco

Enfim, o fim de um é a vida de outros.

Essa odisséia enfrentada,

Sem pedir, sem saber,

Chegando sem optar,

Chegando simplesmente,

E partindo simplesmente,

Sem opção

Mas a doação da carcaça inútil,

Poderá ser a solução

De o sonho realizar,

E não alimentar os parasitas.

Freqüentar a Universidade

Aula de anatomia,

Ao menos por um tempo…

Ou ser engolido pela mãe terra,

Cumprindo assim o banal destino

Do ser vivente

Chegando e partindo

Simplesmente.

Nilza 13/08/2009

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Sobre Nilza Rodrigues

Um ser em constante evolução, olhos no horizonte, cabeça nas estrelas, pé no chão, alguns empurrões ao abismo e venho fazendo a subida, ardua e longa, ainda me encontro enclausurada, mas chegará o dia que dele sairei gloriosa. Amante dos animais, natureza, humildes, grandes de alma, universo em evolução. Auto disciplina, estilo e humildade são meus caminhos na vida
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